A mulher que leva o Congo no nome pela preservação da cultura capixaba


Terezinha Osório com as casacas, instrumento tradicional das bandas de congo capixaba. | Foto: Fábio Cerati/Instituto Mpumalanga.


Terezinha Osório costuma dizer que foi criada no Congo, tamanha devoção à cultura capixaba liderado por seu pai, o mestre Antônio Rosa. Ela sempre fora conhecida como ‘filha do mestre Antônio Rosa’ pelos adeptos da tradição e só se tornou a ‘Terezinha do Congo’ após o falecimento do pai. Para carregar sua tradição no apelido, ela teve que enfrentar a própria cultura, cuja participação das mulheres era vista como secundária.

Com a morte de Antônio Rosa, um dos principais representantes dessa manifestação cultural no município de Serra, no Espírito Santo, o congo se viu ameaçado. Os praticantes sentiram a perda. Terezinha também, porém foi sua força de mulher que a levou para o caminho da resiliência.

“Meu combustível primeiro foi a saudade do meu pai. Nós crescemos ouvindo a história do congo e que nós tínhamos que preservar”, afirmou. A participação da mulher no Congo é dançar e segurar os estandartes. Os homens tocam os instrumentos característicos e sempre há um mestre na função de inspiração e liderança.

Diante da desmotivação generalizada, Terezinha se fortaleceu junto com as mulheres do Congo para reavivar as raízes capixabas em Serra. “Eu vi a tristeza da comunidade com a ausência de Antônio Rosa, não poderia deixar o Congo acabar”, reafirmou. Ela saiu as ruas e engajou os praticantes a se reorganizarem. Mas esse foi só o primeiro passo para quem alcançou a presidência da Associação de Bandas de Congo.

“Nós começamos a fazer esse trabalho de formiguinha. Alguns mestres me olhavam – ‘o que que é essa menina, vamos confiar nessa menina?’. Foi assim um processo de conquista, de respeito, de reconhecimento e eu conquistei” contou Terezinha, que também realiza um importante trabalha junto a secretária de cultura do município de Serra.


Terezinha compartilhou sua história na dinâmica Todas por Elas, em Serra. | Foto: Fabio Cerati/Instituto Mpumalanga


Para preservar o Congo, as mulheres não perderam seu cuidado, elas apenas o direcionaram de forma mais empreendedora. Menos romântica, é verdade, porém não menos acolhedora, levando sempre em consideração a importância da alma brincante nesse processo. “Eu nasci no congo, fui criada no congo, tenho amor pelo congo, mas o congo precisa muito mais do que o amor, ele precisa que alguém lute pela preservação, pelo registro dessa memória. Então, a Tereza, junto com toda equipe da a Associação de Bandas de Congo, com outras mulheres, nossas rainhas do congo, nós primeiro fizemos o resgate de alma do nossos congueiros, valorizando o indivíduo como um brincante da cultura popular”, explicou referindo-se a si mesma em terceira pessoa.

O amor pelo pai fez Terezinha direcionar suas energias para que a cultura ganhasse mais espaço no Espírito Santo. Hoje, com CD lançado e sede fixa, a Congo de Serra está protegido porque tem mulheres fortes demais. “Eu consegui com muita raça, muita determinação, junto com toda a Associação construir a sede. Eu consegui sensibilizar os políticos, buscar parcerias, não medi esforços, tudo em nome do amor do meu pai, memória dele”, reiterou saudosa.

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