Desmatamento na região do Médio Purus preocupa

A Amazônia ostenta o posto de maior floresta tropical do planeta. No entanto, nas últimas décadas, os constantes desmatamentos a colocaram entre as maiores preocupações do mundo no que diz respeito à preservação do meio ambiente e da Terra, uma vez que a Floresta Amazônica absorve grande quantidade de gás carbônico, evitando maiores danos à camada de ozônio e o consequente efeito estufa.

A visita da Caravana das Artes a Lábrea, no sul do estado do Amazonas, traz o tema à tona, uma vez que o município marcado para receber a próxima etapa do projeto é também o que mais desmatou recentemente, segundo o Imazon, em pesquisa que analisou a devastação da região no mês de junho deste ano.


Lábrea foi o município que mais desmatou em junho deste ano. (Imagem: Imazon)


“Atualmente, a região de interface entre o alto e médio Purus é cenário de expansão de fronteira agrícola, a partir da logística dada pelas rodovias BR-364, BR-319 e BR-230. É nesta região que se concentra o impacto da ocupação na bacia”, explica a antropóloga Mirella Poccia, que acompanha nossa equipe na expedição pelo Rio Purus. O principal motivo do desmatamento em Lábrea é a expansão da atividade madeireira e pecuária.

Os números atuais comprovam que o problema persiste, mas não se trata de uma preocupação recente. Em 2008, Lábrea esteve na lista dos 42 municípios com maior taxa de desmatamento na região amazônica. No ano seguinte, a situação se agravou, pois os números indicaram um aumento de 18,8%. Em cerca de um ano, foram mais de 26 km² devastados, entre 2009 e 2010. Os registros de queimadas também tiveram aumento considerável.

“Exploração de madeira ilegal, castanheiras e seringueiras, além da criação de áreas de pastagens são os principais motivos que levam a essa degradação”, completa Poccia.


Avenço dos centro urbanos e atividade extrativista ilegal aumentos os índices de desmatamento na Amazônia (Foto: Paulo Duarte)


A construção da Transamazônica, como é conhecida a BR-230, facilitou a ação de madeireiros e colaborou para que os números de devastação aumentassem na região, sobretudo no trecho entre Humaitá e Lábrea. O município possui 2325 km de estradas, das quais apenas 7% são legais. As demais são consequência da exploração de madeireiros e grileiros.

Diante deste cenário, a presença dos indígenas na região tem sido um alento, pois além da cultura que prima pela sustentabilidade na maioria das aldeias, há unidades de conservação que freiam a ação extrativista.

“A presença de Terras Indígenas e Unidades de Conservação têm garantido a conservação de áreas importantes e têm sido uma das medidas mais eficazes contra o desmatamento na Amazônia e, consequentemente, para a redução de emissões de gases de efeito estufa”, observa a antropóloga.

Lábrea conta com a Reserva Extrativista (RESEX) do Rio Ixuti criada depois da mobilização de comunidades ribeirinhas. A demarcação da área foi uma vitória da população, embora ainda exista um longo trabalho para afirmação das famílias no local. De acordo com a regulamentação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, a RESEX pode ser utilizada pelas famílias tradicionais da área sem que haja extinção dos recursos naturais.

Vozes do Purus

O Projeto Vozes do Purus abraça as manifestações e tradições culturais dos povos indígenas como parte da Caravana das Artes –  movimento que acredita no poder mobilizador da arte, na possibilidade de aprender e construir juntos, na valorização da cultura, na promoção dos ideais democráticos e da paz. A Caravana das Artes é um projeto itinerante que percorre todos os anos 10 municípios com baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) e infantil (IDI), promovendo atividades artísticas entre crianças e jovens, além de capacitação de professores da rede pública. Uma metodologia que transforma a realidade de crianças e jovens em espaço e conteúdo para o aprendizado e, principalmente, valoriza o papel do professor como ator social com grande influência na comunidade.

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