Música de Roberta Campos evade tenda e invade o corpo

No Parque Ecológico de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo é o silencio que prevalece, mas poucos o percebem. A maioria dos frequentadores são corredores fechados em fones de ouvidos. Passam apressados pela pista de cooper que circunda o espaço.

Nos primeiros dias de abril, no entanto, eles pararam a corrida, atraídos por tendas coloridas, que propagavam música pelo ar. Aquelas ondas sonoras, que chegavam sem auxílio dos fones de ouvido, provocava algo diferente, difícil de explicar, pois não era sentimento racionalizado.

Abaixo da tenda, e movida pelo mesmo sentimento irracional, a cantora Roberta Campos dedilhava o violão. As notas já envolviam todo o ambiente quando a voz da mineira dançou com os acordes.


Roberta Campos transmite emoções por meio da música e contagia ambiente. (Foto: Celia Santos)


Música e sentimentos estão ligados nas composições de Roberta Campos, não somente pelas letras, mas pelo envolvimento que as canções produzem. O violão foi o instrumento de força nos momentos mais difíceis da vida e, por meio dele, a cantora encontra a si mesma ainda hoje.

“Estar aqui faz passar um filme na minha cabeça, de quando comecei. Espero que essa experiência de contato com a música também desperte isso, quem sabe possam seguir o mesmo caminho”, comentou Roberta, que lançou um livro de poesias junto com o último álbum Todo Caminho é Sorte.

A mineira, que se recorda de ter tocado o violão tantas vezes sozinha, apenas para buscar a ligação consigo, ganhou a companhia ritmada de um grupo de crianças de Itaquaquecetuba, alunos da rede pública que participavam da Caravana das Artes. O violão ao encargo de Roberta Campos, o batuque de responsabilidade dos pequenos. A música evadia a tenda ao mesmo tempo em que invadia o corpo.

“A música fez minha vida tomar outro rumo. É algo que me faz bem e por acaso se tornou minha profissão”, afirmou mineira que acumula composições autorais na carreira. As crianças que participam do projeto entram em contato com a música por meio da metodologia do Instituto Mpumalanga.

Os professores ensinam ritmo com movimento e instrumentos simples, como baldes, copos coloridos, chocalhos improvisados. Tudo vira música e não demora para que as notas musicais se convertam em sentimento. Há de se perceber pela sintonia de sorrisos e fartas gargalhadas, ou mesmo olhares hipnotizados.


Na Caravana das Artes, crianças experimentam música e criam conexão com o aprendizado. (Foto: Celia Santos)


“A simplicidade é tudo”, pontua Roberta Campos enquanto observa os pequenos sonorizando com tudo que encontram ao redor. “Eu não tinha noção do que era a vida, mas eu sabia o que eu queria. A música tem o poder de colocar as pessoas no caminho certo”, completa saudosa.

Os corredores que passavam pelo parque estancaram em volta da tenda. Quando a música parou, as risadas cessaram, eles finalmente puderam escutar o silêncio, o trem que cortava o ar e arranhava os trilhos. A música fora dos fones.

0 visualização
  • YouTube
  • Facebook
  • Instagram
© 2020 Instituto Mpumalanga. Todos os direitos reservados.