Samba com função educativa aproxima crianças do Carnaval

Em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, o samba é de todos. O ritmo é abraçado pelos mais diferentes perfis e isso implica dizer as mais distintas idades. Pois não é de se surpreender ver idosos postulantes a assento preferencial levantarem das cadeiras nos bares e soltarem as amarras do corpo em balançar estonteante. O mesmo se pode esperar das crianças daquele bairro, tão encarnadas em samba que fazem da dança uma imensa brincadeira, de movimentos leves, rápidos, rodopiantes.

A tradição ganha força com o Carnaval, que envolvem as escolas de samba ao longo de todo o ano. Tamanha é a importância da Unidos de Vila Isabel na região, que a quadra de telhado piramidal tem quase função de templo para os moradores, devotos de Noel Rosa, inspiração do bairro. A valia do samba é ainda maior pela função educativa que exerce.

“O bom samba educa. Teve muitas coisas que eu não estudei, mas aprendi através dos enredos, o samba te ensina e é por isso que eu acho os carnavalescos os caras mais importantes do Brasil”, destaca Lenilson Osório Dutra, integrante da Velha Guarda da Unidos de Vila Isabel.


Lenilson destaca função educativa do samba e lembra que história do Brasil e do mundo aparecem nos enredos. (Foto: Celia Santos)


Os enredos remontam a história com um colorido que só o Carnaval sabe produzir. Toda essa magia também aproxima aqueles cujos encantamentos são prioridade: as crianças também querem samba em Vila Isabel. E encontram.

A Herdeiros da Vila é a ala responsável pelo Carnaval dos pequenos. “Uma escola de samba agrega Velha Guarda, baianas, passistas, comissão de frente e a ala mirim, que tem um Carnaval próprio para as crianças. Elas sempre participam de alguma forma dos desfiles”, explica Analimar Ventapane, coordenadora do grupo infantil da escola e muito conhecida no bairro por ser filha do cantor Martinho da Vila, radicado no samba e no bairro.

Veja também:

+ Do samba, Dona Filó mantém tradição da feijoada em bairro abolicionista de Vila Isabel

+ Narradora-personagem, Dona Anna registra e altera história do morro

Analimar conta que além das relevância para as crianças que participam do Grêmio Recreativo com atividades culturais, a ala mirim também é um instrumento de reaproximação das mães. “É o lugar onde as mães, que costumam ser muito jovens por aqui, Voltam a frequentar a escola, trazendo os filhos. É uma religação importante com a escola e ocupa o tempo ocioso”.


Analimar Ventapane é filha de Martinho da Vila e se dedica ao grupo mirim da Unidos de Vila Isabel. (Foto: Celia Santos)


O samba tem o poder de atração e Analimar sabe disso pela trajetória da própria família, pois fora sua mãe, moradora de Vila Isabel, um dos motivos que trouxeram o jovem Martinho ao bairro. “Minha mãe era moradora da Vila Isabel e ele se apaixonou por ela e pelo bairro ao mesmo tempo”, conta.

Hoje, o azul e branco da escola também são parte dos versos de Martinho da Vila, cujo nome ganhou o mundo graças ao anfitrião ilustre. “As pernas de meu pai andaram bastante e a Vila foi levada para muitos lugares por causa dele”, afirma em tom pensativo Analimar.

“A Vila Isabel está dentro de mim. É um bairro muito família, como se fosse uma cidade independente, com vida noturna, comércio farto, é o primeiro bairro planejado do Rio de Janeiro. Então é tudo muito organizado”, finaliza a filha de Martinho, tão saudosa quanto orgulhosa.

0 visualização
  • YouTube
  • Facebook
  • Instagram
© 2020 Instituto Mpumalanga. Todos os direitos reservados.