Como se brinca o Carnaval no interior do Brasil?

Pra você que achava que Carnaval se resume a Sapucaí e Anhembi, a Caravana das Artes apresenta outras manifestações carnavalescas que você precisa conhecer. Todo brasileiro gosta de brincar o Carnaval, mas com um país tão diversificado em cultura não poderia haver uma única expressão.

Maracatu Rural


Não falta colorido na zona rural com o Maracatu que toma conta do Carnaval.


As roupas coloridas e brilhantes chamam a atenção, porém o que desperta maior curiosidade são perucas pra lá de exageradas.

Quem vem lá?

É com uma confusão de cores e batidas empolgantes que a Zona da Mata de Pernambuco comemora o Carnaval com o Maracatu Rural ou do Baque-Solto. Essa manifestação, que se diferencia do Maracatu do Baque Virado, é tradicional de áreas de canaviais, pois foi em virtude da cana-de-açúcar que a cultura se deslocou e ganhou sua própria representação entre os trabalhadores da terra. São camponeses que mantêm a tradição cheia de vida.

É o caboclo-de-lança

O principal personagem do Maracatu Rural é uma representação da força do trabalhador. Junto com as vestes extravagantes e as volumosas madeixas, o dançador leva uma lança com mais de 2 metros de comprimento, a qual usa em um vai-e-vem para acompanhar o ritmo da música. Para completar, o cravo na boca, cuja significação é segredo guardado pelo grupo.

Vim brincar o Carnaval

O Maracatu é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2014. Sua manifestação encontra outras vertentes, certo é a brincadeira no Carnaval. Os cortejos saem às ruas, que ganham um ritmo colorido durante a celebração.

Que cortejo é aquele, senhor?

A Caravana das Artes passou por Nazaré da Mata em 2015, quando retratou o Maracatu Rural e incorporou o tema no projeto, por onde passam cerca de 3000 a cada etapa.

SAIBA MAIS: 

+ Baque-solto ou baque-virado? 

+ Força do Canavial

Congo de Máscaras


João Bananeira é o personagem da folia capixaba.


Quem comanda o Carnaval na região de Cariacica, no Espírito Santo, é João Bananeira. O ilustre personagem veste folhas e bananeira – como antecipa o nome – e retalhos de tecido. A máscara e os braços abertos não deixam dúvida de sua identidade carnavalesca e acolhedora. É em torno dele que circula a tradição capixaba de brincar o Carnaval.

Os foliões também vestem máscaras e saem nas ruas ao som do Congo, marcado pelas fortes batidas de tambores. Algumas vertentes dessa manifestação também incluem o som da casaca. É fruto de um sincretismo com a cultura indígena na zona rural. O instrumento tem o mesmo princípio sonoro de um reco-reco, no entanto, ostenta uma carranca feminina na parte superior.

O simbolismo da fantasia remete aos tempos antes da abolição da escravidão no Brasil. Os negros que trabalhavam na área agrícola de Cariacica não queriam ficar de fora do Carnaval, por isso se fantasiavam com máscaras, para participar da folia. Eles se trocavam em meio às bananeiras, daí o surgimento do personagem João Bananeira. Como todo folclore, tem suas versões adjacentes, mas certa é a importância cultural de tal figura.

A Caravana das Artes conheceu Congo de Máscaras de perto, em etapa realizada no último ano. O grupo da zona rural mostrou que a cultura também serve de elemento educacional dentro do estado.

SAIBA MAIS: 

+ João Bananeira da zona rural.

+ Educação na batida do Congo. 

Zé Pereira e Vitalina


Os primeiros bonecos gigantes do Brasil, Zé Pereira e Vitalina é o casal mais querido de Belém do São Francisco.


Às margens do rio São Francisco, na pequena e simpática, Belém do São Francisco, o Carnaval chega pelas águas. Ele vem na figura dos grandalhões Zé Pereira e Vitalina, dupla de bonecos gigantes.

Embora os bonecos tenham ganhado notoriedade em Olinda, o casal Zé Pereira e Vitalina carrega a fama de terem sido os primeiros bonecos gigantes do Carnaval no Brasil.

A tradição se aproxima do seu centenário e continua a carregar multidões pelas ruas da cidade. Foi o padre belga Norberto Phalempin, primeiro vigário de Belém de São Francisco, quem contou a Gumercindo Pires de Carvalho, um morador “arretado” sobre os bonecos que eram usados na Europa. Assim, em 1919, nasceram Zé Pereira e Vitalina, de papel machê e talento pernambucano.

Nos últimos anos, a folia ganhou uma nova surpresa. As roupas usadas pelo casal mudam a cada ano, de acordo com uma temática escolhida para o Carnaval.

Belém do São Francisco abriu o ano de 2016 para a Caravana. A primeira etapa ainda seguiu em clima de Carnaval e o projeto foi visitado por Zé Pereira e Vitalina no dia de abertura dos projetos.

SAIBA MAIS: 

+ Caravana em Belém do São Francisco

O Carnaval, seja onde for, foi feito para brincar. É a oportunidade de despertar nossa criança e viver a fantasia, seja qual for a tradição de sua região. Boa diversão!

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