Moradores de Resex dão exemplo de sustentabilidade

A harmonia entre homem e natureza é mais do que ideologia em uma Reserva Extrativista (Resex), é regra. Quem mora em uma Resex entende perfeitamente o que significa a extração sustentável dos recursos naturais, pois a vivencia na prática.

“Resex é uma unidade de conservação de uso sustentável, garantia de uso e moradia das populações tradicionais”, explica Zé Maria, chefe da Resex do Médio Purus, na região sul do estado do Amazonas. A administração dessas Reservas Extrativistas é de responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

As equipes da Caravana do Esporte e da Caravana das Artes conheceram a Resex do Médio Purus, no último mês de agosto. Além de aprender sobre sustentabilidade, foi a oportunidade de dialogar com seus humildes moradores, donos de virtudes e sabedoria raras.

Criada em um decreto em 2008, com 604 mil hectares, hoje a unidade do Médio Purus abriga população de aproximadamente seis mil pessoas, porém os estudos e estratégias de sustentabilidade ainda estão em análise e devem ser aprimorados. “A Resex ainda não tem Plano de Manejo, está em processo de construção, assim como todas as unidades do interflúvio do Purus e Rio Madeira”, explica Zé Maria.

“A unidade já tem Plano de Uso criado em 2012, através da portaria 162 e a gente tem trabalhado ao longo desse tempo para conciliar esses projetos para a melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais que moram aqui”, completou o gestor. O Plano de Manejo é um estudo detalhado da área destinada à reserva, enquanto o plano de uso são as regras para as famílias tradicionais explorarem os recursos naturais.

Tamanho zelo com a floresta impõe aos moradores a condição de protetores da natureza. Uma função que os enche de orgulho. Apesar dos esforços, no entanto, as áreas delimitadas continuam a sofrer com a ação irregular. “A caça de quelônios, também conhecidos como tartarugas, e a pesca imprópria são feitas pela maioria das vezes por pessoas das cidades do entorno do Rio Purus. Eles vêm de todos os lugares e atacam na descida do rio com material muito predatório, chamado capa saco, utilizado nas saídas dos rios e igarapés para prender os quelônios na descida da água”.

Os gestores locais permanecem trabalhando para evitar essas ações. A pesca de quelônios, répteis próximos das tartarugas, já gerou diversas preocupações, em virtude do risco de extinção da espécie. “A gente está trabalhando com o aumento dessa população e com as áreas que ainda não têm quelônios estamos fazendo a repovoamento”, conta Zé Maria. O projeto é desenvolvido em parceria com as comunidades e está previsto no Plano de Uso.

Zé Maria lembra que apesar do suporte oferecido pelo ICMBio, o sucesso na conservação do ambiente é consequência do respeito da população com as regras e, sobretudo, com a natureza.

“O ICMBio está aqui para dar o apoio e o suporte institucional, mas os verdadeiros interessados são os moradores. Eles é quem vivem, utilizam e sobrevivem dos recursos que aqui existem. O ICMBio trabalha intensamente com reuniões e orientações. A unidade já tem conselho formado , a gente discute as estratégias de conservação da unidade e a forma de educar as pessoas nas reuniões do conselho. Os conselheiros têm a missão de passar a mensagem para a comunidade para fazer com que as pessoas consigam entender e cuidar da manutenção e gestão cada dia melhor da terra”, finaliza.

Veja o depoimento de Dona Francisca, moradora da Resex Médio Purus, em Jurucuá, no Amazonas.

Vozes do Purus

O Projeto Vozes do Purus abraça as manifestações e tradições culturais dos povos indígenas como parte da Caravana das Artes –  movimento que acredita no poder mobilizador da arte, na possibilidade de aprender e construir juntos, na valorização da cultura, na promoção dos ideais democráticos e da paz. A Caravana das Artes é um projeto itinerante que percorre todos os anos 10 municípios com baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) e infantil (IDI), promovendo atividades artísticas entre crianças e jovens, além de capacitação de professores da rede pública. Uma metodologia que transforma a realidade de crianças e jovens em espaço e conteúdo para o aprendizado e, principalmente, valoriza o papel do professor como ator social com grande influência na comunidade.

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