Oficina Viva com Arte de instrumentos alternativos faz barulho em São Sebastião


Professores do Instituto Mpumalanga orientaram a confecção de instrumentos musicais.


A Formação Continuada Viva com Arte em São Sebastião chegou ao seu segundo dia fazendo barulho. A expressão é válida tanto no sentido figurado, com a mobilização de professores e agentes culturais apoiados pelas secretarias de Cultura e Educação, tanto no sentido literal, com a organização de uma oficina de instrumentos alternativos que provocou certa elevação de decibéis nas dependências da secretaria de cultura. Os professores do Instituto Mpumalanga estão em ação com os educadores locais para o segundo módulo da formação, cuja o início foi com a passagem do projeto Caravana das Artes, em junho desde ano.

“A secretaria de cultura de São Sebastião abre suas portas para a formação Viva com Arte. Professores comprometidos e mobilizados participam das atividades com sonoridades e construção de instrumentos”, reiterou Adriana Saldanha, diretora do Instituto Mpumalanga. A integração do munícipio em torno da iniciativa educacional é reconhecida na sala de aula com a presença de educadores de norte à sul. “Participam professores da costa sul e costa norte, como também das escolas do centro de São Sebastião”.

A ideia do segundo dia de atividade é trazer instrumentos diferentes, que trabalhem as mais abundantes sonoridades, além de mostrar as possibilidades sonoras de cada material. “Queremos mostrar a possibilidade e sobretudo rever o conceito do que seria um instrumento musical, já que muita gente pensa que tem que ser algo comprado. Mas a história nos prova que desde os primórdios o ser humano constrói instrumentos musicais – com ossos, com troncos, uma série de coisas”, pontuou o professor Ossimar Franco, do Instituto Mpumalanga.

A música vem de onde menos se espera com a metodologia Viva com Arte e não seria exagero dizer que tudo vira música nas mãos criativas desses educadores. Pois se forminha de gelo vira reco-reco e tubo de pvc é tambor, nada nos impede de transformar tábua de lavar roupa em instrumento musical, não é mesmo?

Foi assim que nasceu o washboard, um dos instrumentos que compunham esse dia de sonoridades alternativas. Ele ficou conhecido na Caravana das Artes em São Sebastião com a participação especial de Lumineiro e agora nasce de maneira ainda mais criativa com essa oficina. Além do washboard e dos tambores de PVC, os professores também confeccionaram outros instrumentos.


Uma washboard diferente ganha forma com trabalho de educadores.


Os sons produzidos eram diferentes, mas os instrumentos tinham um interessante traço em comum: eram feitos a partir de materiais reaproveitáveis. Com isso, a metodologia Viva com Arte apresente não só possibilidades musicais, mas também o acesso. “Esse material poderia ser descartado como lixo e hoje a gente está dando um novo sentido e estimulando a criatividade”, ressaltou o professor Ossimar, com a voz abafada pelos furadeiras e marteladas ao fundo.

O batuque produzido pelos pregos estacados no encontro com o martelo, pelas madeiras perfuradas ou pelo tintilar no toque dos metais eram só a entrada. Aqueles professores tão dedicados na confecção de instrumentos não poderiam deixar de organizar essa banda. “Durante a tarde a gente vai ver como funciona isso na prática”, profetizou Ossimar cheio de expectativas para a segunda etapa do dia.


Depois de confeccionados, instrumentos devem cumprir sua função sonora.


Agora que os materiais recicláveis ganharam a função de instrumentos, um novo sentido faz parte das produções. Não podem elas, portanto, se resumirem a enfeite. Os instrumentos querem compor a banda, jamais as prateleiras. “Como a gente está em experimentação esse é o grande desafio, para não virar bibelô, que ninguém usa”, alertou o professor do Instituto Mpumalanga.

Tudo que aprendido pelos professores durante a Formação Continuada Viva com Arte se reflete em sala de aula e na educação das crianças de São Sebastião, com a maior presença da arte e com o viés educacional que engrandece uma formação humanitária. Os educadores locais, imersos nesse universo trazido pelo Instituto Mpumalanaga, invariavelmente projetam uma prática diferente com os alunos. Por isso a acessibilidade financeira e noções de sustentabilidade são colocadas em pauta quando trabalhamos com tais instrumentos.

“Não é só a questão do baixo custo, porque a gente também tem o ambiente com muito lixo sendo produzido. Ao mesmo tempo em que a gente mostra a diversidade dos sons, mostra que se pode fazer o próprio material. Uma sociedade em que apela tanto para o consumo acaba perdendo a autonomia de produzir nossos próprios materiais”, reforçou Ossimar Franco.


Uma terça produtiva para se aprender com música em São Sebastião.


“Estou achando incrível, esse é o melhor jeito de ensinar a criança! Essa troca de vivência para levar para escola é impagável, tudo que a gente está fazendo é possível levar para a escola. Vou passar para meus professores e vamos levar para os alunos”, afirmou encantada a coordenadora pedagógica Vivian Pinder, há 15 anos lecionando no ensino público de São Sebastião.

Os instrumentos produzidos são pensados no trabalho com crianças, por isso precauções quanto a segurança e funcionalidade são levadas em consideração nas oficinas. O Formação Continuada Viva com Arte tem o apoio da EDP e do Instituto EDP. Além de professores da rede pública de ensino, a formação recebe mestres de cultura e educadores da Fundação Deodato Santana.

Saber e diversidade


Presença do cacique Mauro trouxe diversidade e mais conhecimento para o Viva com Arte.


Certos da importância da cultura regional, sobretudo em um município de fortes traços culturais como São Sebastião, a Formação Continuada Viva com Arte ressalta a importância da valorização dos saberes locais. E amplia o conhecimento artístico com a participação de indígenas nas aulas.

Trabalhando na confecção de um tambor a partir de um tubo de PVC, o cacique Mauro comentou sobre a troca de competências. “Para mim é uma experiência bem diferente, porque eu já faço tambor, mas faço natural, com cano de PVC e essas cordas está sendo interessante”, afirmou. “Eu espero levar o esse aprendizado para as crianças da aldeia. Isso inspira criatividade! Hoje a inspiração vem muito do futebol, então esses” materiais vão mostrar que eles conseguem fazer muitas coisas”, acrescentou o cacique Mauro, que garante que criatividade não falta entre os pequenos indígenas.

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